Crédito imobiliário
e venda varejista
Três fatos recentes merecem ser cruzados, pois
podem anunciar uma ligeira queda do consumo no próximo
trimestre.
O primeiro é o crédito, de grande importância
para as vendas varejistas. Ora, a Serasa Experian informa
quedas no número de consumidores que buscaram
crédito neste ano: de 1,1% em janeiro, relativamente
a dezembro, e de7% em fevereiro, ante o mês anterior.
Todavia, relativamente a fevereiro de 2009, quando a
atividade bancária estava em franco recuo, o
crescimento é de 18,5%.
A queda da procura nos dois primeiros meses do ano
se dá no quadro de estabilidade das taxas de
juros pelo quinto mês consecutivo, para empréstimos
pessoais, e pelo terceiro mês, no cheque especial.
Paralelamente, em fevereiro houve a maior queda (2,2%)
da inadimplência dos consumidores para este mês,
desde 2004. Em relação a janeiro deste
ano, a queda da inadimplência foi de 2,1%. Nos
anos anteriores costumava-se registrar, no início
do ano, um aumento da inadimplência, em razão
dos gastos excessivos que se realizavam durante as festas
natalinas.
A redução do calote neste ano se pode
explicar, em parte, pela melhoria dos rendimentos e
pelo aumento, no final do ano, da capacidade de pagamento,
com o recebimento do décimo terceiro salário.
No entanto, cabe levar em conta uma terceira notícia,
fornecida pela Confederação Nacional da
Indústria (CNI) na sua Sondagem da Construção
Civil, que mostra que o otimismo do setor continua elevado.
Estamos assistindo a um verdadeiro boom no setor imobiliário
que tem, por contrapartida, um forte aumento do endividamento
das famílias com compromissos de longo prazo.
Ter uma casa própria é o sonho de todas
as famílias, porém, quando ele se está
materializando, a maior preocupação delas
é respeitar seus compromissos financeiros, sabendo
que a inadimplência, neste caso, pode acabar acarretando
a perda do sonho.
Estamos considerando que o crédito imobiliário
poderá ter o efeito de reduzir, num primeiro
momento, as vendas no varejo, ou, pelo menos, trazer
profunda modificação dos gastos das famílias,
que num passado recente aproveitaram para adquirir mercadorias
beneficiadas por isenções fiscais, mas
que agora darão prioridade ao pagamento das prestações
da casa própria recém-adquirida. Cabe
à indústria levar em conta essas mudanças
nas decisões de investimentos.
Fonte: 10/03/10 - Estadão.
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